Avanço dos carros eletrificados exige atenção na contratação do seguro

Cobertura para bateria, assistência especializada e condições de reparo estão entre os pontos que motoristas devem avaliar antes de escolher uma apólice
O Brasil chegou a agosto de 2026 com 950.183 veículos leves eletrificados em circulação, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Esse avanço também aparece nas cotações de seguros: a participação de modelos elétricos e híbridos nas consultas monitoradas pela TEx, empresa da Serasa Experian especializada no mercado de seguros, passou de 3,5%, em novembro de 2024, para 16,1%, em abril de 2026.
Com a expansão dessa frota, especialistas alertam para cuidados específicos na contratação, especialmente em relação à cobertura de baterias, à assistência em caso de pane e às condições de reparo.
Diferentemente dos veículos convencionais, os modelos elétricos e híbridos contam com sistemas de alta tensão que exigem procedimentos específicos de manutenção e reparação. Essas características devem ser consideradas na escolha da seguradora e dos serviços contratados.
“Nem sempre a proposta mais barata é a que oferece a proteção mais adequada. No caso dos veículos eletrificados, é importante avaliar se a seguradora está preparada para atender às particularidades do modelo, inclusive em situações que exigem assistência especializada”, explica Marcio Costa, diretor comercial de seguros da Costa & Sampaio.
BATERIA E ASSISTÊNCIA MERECEM ATENÇÃO
A bateria de alta tensão está entre os componentes que merecem atenção. Antes da contratação, o motorista deve verificar como a seguradora trata eventuais danos, em quais situações há cobertura e quais exclusões estão previstas no contrato.
Também é importante conhecer as condições de atendimento em caso de pane. Nem toda assistência 24 horas oferece os mesmos serviços, e o proprietário deve conferir se há previsão de reboque adequado ao modelo e quais são os limites de distância para remoção do veículo.
“Uma dúvida comum é imaginar que qualquer problema com a bateria estará coberto pelo seguro. É preciso distinguir situações previstas na apólice de falhas de funcionamento que podem estar relacionadas à garantia do fabricante. Essa diferença deve estar clara antes da contratação”, orienta o especialista.
A rede de oficinas é outro fator relevante. Como os sistemas elétricos de alta tensão exigem profissionais e equipamentos específicos, o consumidor deve verificar como a seguradora organiza os reparos e se existem restrições para determinados serviços.
O QUE CONFERIR ANTES DE ASSINAR
Duas propostas para o mesmo veículo podem apresentar valores diferentes porque oferecem franquias, limites de indenização e serviços distintos. Uma mensalidade menor, por exemplo, pode vir acompanhada de uma franquia mais alta, aumentando o desembolso do motorista em caso de acidente.
“Não basta comparar o preço final. É importante colocar as propostas lado a lado e entender o que cada uma oferece. Uma diferença que parece pequena na contratação pode representar um custo significativo quando o seguro precisa ser utilizado”, explica Costa.
Nos veículos elétricos e híbridos plug-in, outro ponto é a proteção dos equipamentos de recarga. Cabos e carregadores fornecidos com o automóvel não estão necessariamente incluídos na cobertura e precisam ser verificados separadamente.
A recomendação é solicitar as condições da apólice antes da assinatura e conferir se os serviços e as coberturas apresentados na proposta correspondem ao que está previsto no contrato.
Fonte: Revista Cobertura
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