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Primeira SPOC pede autorização para funcionar: qual será o impacto ao consumidor de seguros?

A primeira Sociedade Processadora de Ordem do Cliente (SPOC) do mercado de seguros solicitou autorização à Susep (Superintendência de Seguros Privados) para operar no Open Insurance – ecossistema de compartilhamento de dados de clientes entre as seguradoras, que integrará o Open Finance. Com o nome de Guru SPOC e infraestrutura tecnológica da B3, a empresa recém-criada funcionará como provedora de utilidades para os intermediários de seguro (os corretores) e seus clientes (operando no modelo de negócio B2B2C).


As SPOCs são empresas credenciadas pela Susep para realizar atividades de processamento de pedidos dos clientes, dentre outros serviços, e devem entrar em completo funcionamento na conclusão da Fase 3 do Open Insurance, também conhecida como “Efetivação de Serviços”, com obrigatoriedade prevista para maio de 2024.


Na prática, a SPOC funcionará como um agregador ou comparador de diferentes serviços para o consumidor no ambiente digital do Open Insurance. Será por meio dela, por exemplo, que o cliente poderá fazer uma comunicação de sinistro (evento coberto que motiva o uso do seguro) ou contratação de determinada ou portabilidade de apólice.


A criação da SPOC foi anunciada em outubro de 2022 e seu principal objetivo foi ampliar o escopo de participantes do Open Insurance, incluindo justamente os corretores de seguros. Principal canal de venda de seguros no Brasil, os corretores não estavam incluídos nas primeiras normas do Open Insurance, o que gerou reclamações no mercado e em entidades representativas.


Foi, recentemente, alvo de crítica de representante das seguradoras, que alegaram que a alteração no modelo para incluir a corretagem – por meio da SPOC – anularia a almejada redução de custos de operação e, consequentemente, não gerando queda no preço ao consumidor final.


Para Cassio Gama Amaral, sócio do escritório Machado Meyer Advogados, e agora sócio-fundador da Guru, na contramão do argumento da CNseg, o corretor ajudará a estimular o mercado segurador ao ter acesso aos dados dos consumidor disponíveis no Open Insurance para sugerir seguros que façam mais sentido conforme o perfil do cliente. Inclusive, por meio da combinação de produtos financeiros como um todo – e não só seguros.


Com o avanço do Open Finance e a integração dos seus “braços” – como Open Banking, Open Investments e Open Insurance – a expectativa é com o desenvolvimento de produtos financeiros inovadores e híbridos, o chamado ‘embedded insurance’: produtos bancários com seguros, seguro com investimento, seguro com assistência junto com investimento, exemplifica Amaral. “Aí que é o ponto que eu acho que é o papel do intermediário, do corretor, que vai viabilizar e fazer com que o consumidor no final do dia consiga enxergar essas oportunidades. É difícil para o consumidor entender todas essas nuances”, explica.


A aposta é que a plataforma alcance de 25 mil a 30 mil corretores cadastrados que auxiliem na incrementação das vendas de seguros residencial, automóvel, de responsabilidade civil e o seguro cibernético, além do seguro de vida.


“Por outro lado, a gente não espera que haja uma batalha desenfreada de preço e caia o prêmio [valor pago pelos segurados] a um nível que pode prejudicar também a rentabilidade da seguradora. A gente entende que as seguradoras mais do que nunca deverão trabalhar com produtos diferenciados, com agilidade na resposta, com o pagamento de sinistro de forma mais ágil, por exemplo, dando uma melhor experiência para o cliente, que no final do dia vai perceber o valor da seguradora não só pelo preço”, complementa, alegando que ainda não é possível mensurar, de fato, a possível redução dos preços aos consumidores gerada pelo aumento da concorrência.


Amaral conta ainda que tanto consumidores quanto corretores foram ouvidos para a criação da plataforma e foi possível notar a “ansiedade” do cliente de seguro de ter um tratamento digital como ele já tem hoje em diversas outras indústrias, desde a de entretenimento, com os streamings, até a própria indústria bancária, já com o Open Banking em funcionamento. “O cliente se ressente de uma experiência digital. O que a SPOC pretende fazer é ajudar o cliente no final do dia a ter uma experiência digital e fluida, como ele já tem em outras indústrias, como é no aluguel de carro, de uma estada pelo Airbnb ou outras plataformas”, conclui.

Fonte: CQCS


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