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Seguro é bem estar para
todos
É imperativo que os corretores trabalhem desde já na construção
de um perfil institucional moderno. O setor de seguros e previdência
é primordial para a economia. Sua atividade está associada
a conceitos positivos, como prover a proteção patrimonial
das famílias e empresas, zelar pela saúde das pessoas e
o poder de compra no período da aposentadoria. A sociedade toda
se beneficia, pois o seguro fomenta a poupança de longo prazo necessária
para financiar o crescimento econômico do país.
Esse cenário foi reiterado durante o Congresso dos Corretores de
Seguros (12º Conec), realizado em outubro, em São Paulo.
Em eventos similares realizados no país, pelas várias categorias
ligadas ao setor, o otimismo se repete: o seguro é fundamental
para o bom funcionamento da economia moderna, é um parceiro de
todas as horas para os indivíduos e tem grande potencial de expansão.
Há sugestões para aperfeiçoamentos que confirmem
essa expectativa. A estrutura tributária do setor, por exemplo,
merece ser observada para eventuais ajustes, até para permitir
o aumento dos participantes, como aconteceu com o seguro de vida, que
teve eliminada a incidência do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF). Algumas alíquotas são evidentemente excessivas
e os tributos, inadequados, o que dificulta o acesso da população
de menor renda.
É ampla a gama de propostas e idéias para que o setor se
desenvolva. O mercado já adota alguns mecanismos práticos,
como o serviço de Ouvidoria das companhias. A preocupação
com programas de treinamento avançado é outro exemplo. O
objetivo do setor, com isso, é discutir temas contemporâneos
que desafiam.
É preciso saber, por exemplo, qual o impacto da longevidade da
população sobre a atividade. Como devem lidar com esse fenômeno?
Quais são seus limites? Outro assunto obrigatório são
as novas epidemias. São casos isolados ou devem encontrar meios
de prever novas ocorrências? Por outro lado, a ciência avança
rápido e os corretores devem estar atualizados às descobertas.
Discutir essas questões é obrigatório para quem pensa
no seguro como setor vital para inserir o Brasil nos padrões competitivos
da economia global. O seguro existe há 500 anos, mas tornou-se
um fenômeno no século XX. E será a indústria
de maior crescimento no século XXI. A razão é simples.
A história da economia moderna jamais registrou período
tão fértil de acontecimentos não previsíveis,
fora das estatísticas, que reverberam de forma acelerada ao redor
do planeta. Este é um século de insegurança e volatilidades,
no qual se assiste à multiplicação de catástrofes
provocadas pela mão ou imperícia humana, amplificadas pela
tecnologia da informação. O 11 de setembro, o tsunami, os
prejuízos decorrentes do desequilíbrio climático,
a violência das grandes cidades, os ataques terroristas, a sucessão
de guerras localizadas, mas simultâneas, são situações
novas, sobre os quais devem os profissionais da área refletir.
Ademais, o Estado reconhece a perspectiva de implosão dos tradicionais
modelos estatísticos para prover o bem-estar social dos cidadãos.
A saúde, a previdência, a segurança, são necessidades
cada vez mais presentes na expectativa das pessoas e, também, cada
vez mais onerosos e que exigem aportes crescentes de dinheiro público,
que é artigo escasso.
Em meio a esse cenário, o ramo segurador brasileiro apresenta enorme
potencial. O setor é pró-cíclico, isto é,
vai bem quando a economia vai bem; vai mal quando a economia vai mal.
A partir desse conceito básico, seria ilustrativo e conveniente
analisar seu comportamento no processo de estabilização
da economia.
A primeira fase dessa estabilização, de 1994 a 2001, fez
com que o seguro saísse de uma participação de 1%
para 3% do PIB, como resultado da moeda forte, economia estável
e um novo arcabouço legal de respeito aos contratos vigentes.
Iniciamos a segunda fase em 2002 e estamos no meio dela. Fatores positivos
adicionais podem ser considerados: menos vulnerabilidade externa, com
o ajuste das contas externas; expansão do crédito; e melhora
na distribuição de renda. Há, ainda, maior interesse
do capital estrangeiro no segmento. No ano passado, foram investidos mais
de US$ 1 bilhão. Outra novidade é a abertura de capital
de empresas tradicionais.
As expectativas sobre como o mercado sairá dessa segunda fase ensejam
dúvidas, o que é natural. O certo é que o crescimento
do setor é inevitável. Este ano está em 18,4% ante
um PIB de 3%. No ano passado cresceu 10%. As estimativas apontam para
o encerramento desse segundo ciclo em 2008, com a participação
passando dos atuais 3,5% do PIB para algo como 5%.
Estará o mercado de seguros entrando, então, na terceira
fase do processo iniciado em 1994. Será um período de transição
entre a consolidação da estabilização econômica
e uma etapa duradoura de crescimento e distribuição de renda,
com o Brasil conquistando o investment grade, taxa de juros de país
desenvolvido, afluxo abundante de capitais externos de investimento, emprego
para todos e avanço tecnológico. Na seqüência,
maior consumo de seguros. A projeção é chegar a deter
8% do PIB, igualando aos países desenvolvidos.
É esse o parâmetro pelo qual devem os profissionais do setor
nortear suas estratégias e modelos de negócio. Por isso,
é imperativo que trabalhem desde já na construção
de um perfil institucional moderno, atualizado aos conceitos avançados
de governança corporativa. É através deste trabalho
que aparelhará o setor de forma a não ser surpreendido quando
chegar o momento de dar o salto para patamares superiores.
A tarefa agora é devolver ao seguro essa condição
de precursor da modernidade. Seu crescimento implicará em uma vida
de maior conforto e previsibilidade às pessoas, além de
estabilidade e planejamento para as empresas.
Para o Brasil, uma fonte inesgotável de recursos de longo prazo
para financiar os investimentos necessários ao desenvolvimento
social e econômico.
Fonte: Gazeta Mercantil
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