|
Com a aprovação das regras para o mercado aberto de resseguros, as companhias estrangeiras já começam a se movimentar para iniciarem as
operações aqui. Pelo menos dez companhias estrangeiras já afirmaram que virão ao país, entre elas o Lloyds of London, maior mercado de
seguros e resseguros do mundo, a Paris Re e a General Re, resseguradora alemã do megainvestidor Warren Buffet.
"O Brasil tem o maior mercado ressegurador da América Latina", disse ao Valor por telefone da Alemanha, Daniel Castillo, responsável na
General Re pela Europa Continental, América Latina e África. O grupo é o único do mundo com o rating máximo "triplo A". Portanto, pelas
regras aprovadas não precisa ter reservas no Brasil. Segundo Castilho, se houver a necessidade de reservas extras, o grupo não vem. A
General deve vir como ressegurador admitido, que é a empresa com sede lá fora e escritório de representação no Brasil. A unidade deve
ficar em São Paulo, "onde está a maioria dos clientes", segundo Castilho.
A única exigência mantida para as estrangeiras foi a de um depósito de US$ 5 milhões no país para resseguradoras em geral e de US$ 1
milhão para as do ramo de vida. Deste ramo, a RGA é a terceira maior do mundo e também está de malas prontas para desembarcar no País.
"A ida ao Brasil faz parte da estratégia de termos atuação global", disse recentemente ao Valor, Elsa Gonzalez, diretora regional da
RGA para a América Latina.
As regras aprovadas dia 17 de dezembro pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) privilegiam as companhias que constituírem uma
empresa no país, o chamado ressegurador local. "Queremos um mercado local forte e competitivo", afirma Vergilio.
Estas empresas terão uma espécie de reserva de mercado e 60% de todos os riscos terão que ser oferecidos primeiro para elas. Somente se
todas recusarem é que a seguradora pode procurar o mercado externo. Hoje, só o IRB se enquadra nesta categoria. Mas Vergilio disse que
"há uma manifestação firme" de uma empresa interessada em criar uma resseguradora local e uma outra "que está analisando fortemente" a
possibilidade.
No mercado comenta-se que o Unibanco e a Bradesco, ambas com participação no capital do IRB, têm interesse em se desfazer desta
participação e criar uma resseguradora local. Samuel Monteiro, diretor-geral administrativo e financeiro da Bradesco Seguros e
Previdência, disse ao Valor que a seguradora já teve essa intenção, mas os planos agora são outros. Segundo ele, a idéia é fortalecer
o IRB. A Bradesco tem 21% do capital da estatal, que tem o monopólio do mercado desde 1939, quando foi criada. "O IRB conhece o mercado
como ninguém e é melhor reforçá-lo do que começar uma resseguradora do zero. Com participação no capital, temos posição privilegiada",
afirmou Monteiro.
Patrick de Larragoiti Lucas, presidente da SulAmérica, avalia que o país tem capacidade para ter dois ou três resseguradores locais,
além do IRB. "O Brasil, por não ter catástrofes, funciona como uma alternativa de diversificação para as grandes resseguradoras
estrangeiras", disse. Para ele, a abertura vai aumentar a competição, trazer preços menores e expandir a oferta de novos produtos.
Além das regras do resseguro, a reunião aprovou o aumento do prazo de três para quatro anos para a adequação das seguradoras às regras
de solvência da Susep. Alguns percentuais foram revistos. Para o transporte, o setor mais penalizado pelas novas regras, uma circular
será publicada alterando percentuais e separando o transporte nacional do internacional.
Também foi aprovada a criação do corretor para títulos de capitalização. Antes, havia a figura do corretor de vida, previdência e
capitalização. Ou seja, para atuar em um nicho, o corretor precisava se especializar em todos.
Houve ainda a criação de cooperativas de corretores de seguros. A idéia com elas, segundo Vergilio, é permitir que principalmente os
pequenos corretores se organizem em cooperativas e tenham melhor estrutura para atuarem e competirem com os grandes.
Fonte: CQCS
|