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Mineiros que pagaram durante anos prestações da previdência privada da Saoex Seguradora S.A. já ficaram no prejuízo quando a
empresa faliu, em 2002. Mas agora estão sendo vítimas de mais um problema relacionado ao nome da seguradora. Falsos advogados
entram em contato com os antigos clientes da Saoex, por carta, telegrama ou telefonema, e informam que os consumidores,
finalmente, poderão reaver o dinheiro que aplicaram antes de a falência ser decretada. Mas o golpe vem em seguida: pedem
depósito antecipado para cobrir as custas processuais. E o consumidor fica, mais uma vez no prejuízo, sem o dinheiro
aplicado na Saoex e sem o valor depositado na conta de uma pessoa física suspeita, que desaparece e nunca mais é encontrada.
A abordagem dos golpistas que chegou a Minas Gerais, com maior foco em Belo Horizonte, é um pouco mais sofisticada que as já
aplicadas em estados como o Rio Grande do Sul, onde fica a sede da Saoex, São Paulo, Rio de Janeiro ou Bahia. Os falsos
advogados estão informando que a Saoex foi incorporada por outra seguradora que vai ficar responsável por fazer os pagamentos
das aposentadorias.
“A Mongeral comunica a seus clientes que não possui nenhum vínculo com a extinta Saoex Previdência Privada”, explica o diretor
de Marketing da seguradora, Luiz Cláudio Friedheim. “Os clientes que receberem qualquer comunicado devem desconsiderar”,
reforça. Ele diz que a Mongeral está à disposição para esclarecer qualquer dúvida pelos telefones 4003-3355 (capital e região
metropolitana) e 0800 881 33 55 (demais cidades), ou na sucursal da empresa em Belo Horizonte (31) 3029-2300. Segundo
Friedheim, o golpe é cruel porque aborda pessoas idosas, que ficam na esperança de receber parte do prejuízo que tiveram e
fazem os depósitos sem consultas prévias. “É uma fraude, que não é muito sofisticada, mas acaba lesando pessoas ingênuas”, conta.
A aposentada Maria de Lourdes Augusto é um exemplo de consumidora que pagou prestações de previdência privada da Saoex por
mais de 10 anos e não recebeu nada com a falência da empresa. Indignada, sua sobrinha Maria Gorete Pereira Augusto chegou
a cobrar o prejuízo em processo aberto no Procon Assembléia, há quase sete anos. Mas os resultados não foram satisfatórios,
pois, na época a empresa só ofereceu um pagamento de R$ 52, que também não foi feito. “Ela pagou mensalmente por anos e anos
e não recebeu nada. Foi muito injusto”, afirma Maria Gorete.
Como seus esforços foram em vão, ela desistiu de correr atrás. Mas, recentemente, o nome da Saoex voltou às rodas de conversas
familiares. Este ano, uma de suas primas, Janaína Augusto, recebeu um telefonema. “Disseram que eram da Saoex e que a nossa
tia Maria de Lourdes teria um dinheiro para receber”, conta Maria Gorete. Mas nenhum depósito foi feito para os falsos
advogados. “Não temos condições de pagar nada. A Saoex é que tem que pagar”, afirma.
Fonte: Jornal Estado de Minas
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