Corretor-News ::: Edição 02 ::: Abril / 2007 Sincor-MG/Sindicato dos Corretores de Seguros  

Tecnologia: inimiga ou aliada?

        Neste mundo tão conectado, é preciso saber usar as inovações para que se tornem parceiras nos relacionamentos e na vida profissional

        Para o funcionamento das empresas, não há dúvida de que as novas tecnologias trazem grandes ganhos. As ferramentas de comunicação são fundamentais para que as organizações sejam mais competitivas e as pessoas possam desempenhar melhor seu trabalho. O que era medido em quilômetros é agora em instantes, os instantes que levamos para estabelecer uma conexão eletrônica. E nas relações humanas, o que implica todo esse avanço tecnológico?

        Hoje as tecnologias, a Internet, os computadores cada vez mais rápidos e com funções as mais diversificadas, os celulares com câmera fotográfica, de vídeo, e todas as inovações que surgem todos os dias são inevitáveis. E, em meio a tanta ciência, estão seus criadores. “Pessoas e tecnologia são integrantes do mesmo barco, nenhum de nós ficará isento à companhia dos computadores”, afirma a psicóloga e consultora Edina Bom Sucesso.

        Criada para integrar e aproximar as pessoas, a Internet é, para muitos, um mecanismo de afastamento dos relacionamentos interpessoais. Para Edina Bom Sucesso isso não é verdade. Ela afirma que todos deveriam refletir sobre o estilo introvertido de personalidade, que sempre existiu para algumas pessoas. O que é preciso ter em mente é que a tecnologia não supre mecanismos inevitáveis nos relacionamentos. “Ela não resolve conflitos. Por isso, pouco adiantaria brigar via e-mail. Será preciso conversar ‘olhos nos olhos’ e encontrar saída para os problemas e desavenças”, afirma a consultora.

        Segundo a psicóloga, a tecnologia é uma boa intermediária nas relações, principalmente para quem é objetivo nas comunicações, polido nos comentários e aberto às críticas. “Porém, como tais pessoas são raras, as demais preferem, muitas vezes, culpar a tecnologia pelo distanciamento e frieza nas relações interpessoais que marcam a chamada vida moderna. Na verdade, as causas desse isolamento são outras: egoísmo, individualismo, concentração de riqueza nas mãos de poucos”, diz. Os relacionamentos são, hoje, até mais complexos que os de antigamente, já que a rede de pessoas com as quais cada um se comunica é cada vez maior.

        Outra reclamação comum das pessoas em relação à Internet é o tempo que ficam conectadas acessando suas correspondências. “Quem reclama da quantidade de e-mails que recebe devia se lembrar das pilhas de documentos que repousavam sobre a mesa dos executivos, à espera de assinaturas”, ressalta Edina.

        Anteriormente, havia funções cristalizadas nas empresas em que a informação não circulava permanentemente. Havia um chefe que comandava e os funcionários que obedeciam às ordens criteriosamente. Hoje, crescem as organizações capazes de criar novas redes de conhecimento entre funcionários e parceiros. Isso exige troca, diálogo. “Apesar de tanta sofisticação nas empresas, as relações interpessoais continuam a apresentar os mesmos desafios, e não adianta culpar os computadores pelos problemas que vivemos hoje”, afirma a consultora.

        Para as empresas, a tecnologia é uma grande oportunidade de crescimento, integração de bases físicas, redução de desperdícios de toda natureza, agilidade, modernização e simplificação. “Sabendo usar, ela é viabilizadora da sobrevivência e do crescimento sustentado”, explica Edina. Entretanto, segundo a psicóloga, a empresa precisa entender que as pessoas são as criadoras e as usuárias desse artifício e que, portanto, requerem tratamento respeitoso e digno.

        A consultora ressalta, ainda, que é preciso cautela com as invenções, para que seja possível utilizá-las de modo a trazer benefícios. “São preocupantes os avanços tecnológicos que melhoram o desempenho da indústria de armamentos, tornando as guerras cada vez mais cruéis e inexplicáveis do ponto de vista ético”, exemplifica. Deve-se, então, usar a tecnologia para, por exemplo, reduzir esforços físicos, antes fator de adoecimento de muitos empregados; ou para desenvolver progressos cujos resultados salvem vidas, diagnosticando a tempo ou tratando com eficácia doenças que até bem pouco tempo atrás, findavam a vida prematuramente. “Temos motivos de sobra para brindar os avanços a favor da vida e dos relacionamentos”, afirma Edina Bom Sucesso.

        A tecnologia é apenas mais um recurso com o qual precisamos aprender a conviver, tirando dele o que tem de melhor. “Economiza tempo e evita esforço repetitivo, liberando espaço para se desfrutar a vida, deixando para o ser humano as atividades criativas e menos mecanizadas”, explica a consultora. É usufruindo das tecnologias com essa consciência que será possível fazer delas um mecanismo de integração, mantendo nas pessoas toda a humanidade que sempre tiveram.